Enfermeira foi demitida após denunciar assédio de médico em hospital no PI, diz advogada

  • 02/04/2026
(Foto: Reprodução)
Assédio sexual e moral em hospital: enfermeira denuncia ter sofrido assédio de médico A enfermeira que denunciou assédio moral e sexual contra um médico no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba, afirmou que foi demitida poucos dias após procurar a polícia. A informação foi confirmada pela advogada da profissional, Hellen Daniele, em entrevista à TV Clube. LEIA TAMBÉM: Enfermeira que denunciou assédio de médico no PI: o que se sabe ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Segundo a defesa, após questionamentos feitos por um advogado que acompanhou a enfermeira, o hospital voltou atrás na decisão. Em nota, o Hospital Estadual Dirceu Arcoverde informou que a denúncia foi encaminhada ao Comitê de Ética e que a apuração ocorre sob sigilo. Ainda de acordo com a defesa, a enfermeira comunicou o caso à direção do hospital e registrou boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher após o episódio ocorrido durante um plantão entre os dias 27 e 28 de março. Dias depois, ela foi chamada ao setor de Recursos Humanos e informada de que seria desligada da unidade. De acordo com a advogada, a justificativa apresentada foi o encerramento do contrato, apesar de a profissional já estar incluída em escalas futuras e ter vínculo por prazo indeterminado. A defesa questiona a coincidência entre a denúncia e a demissão. Em novo relato ao g1, a advogada afirmou que a enfermeira foi chamada no dia 31 de março, após já ter prestado depoimento na Delegacia da Mulher, e que a demissão já estava pronta quando ela chegou ao hospital. Em nota, o HEDA afirma que não houve ruptura de contrato com a profissional. “Quando chamaram ela à tarde, já foi com a demissão pronta. Ela achava que era para conversar sobre o caso, mas já estava tudo definido”, disse. A advogada também contestou a justificativa apresentada pela unidade e afirmou que havia necessidade de profissionais no setor. Segundo ela, a enfermeira já estava com a escala de plantões definida e não havia substituto previsto para a função. “Ela já estava com a escala pronta, não tinha ninguém para substituir e disseram que não precisavam mais. Que coincidência é essa?”, questionou. Ainda conforme o relato da defesa, após questionamentos feitos por um advogado que acompanhou a enfermeira, o hospital voltou atrás na decisão. Horas depois, a unidade entrou em contato e reverteu o desligamento, recontratando a profissional. A defesa também reiterou que já iniciou medidas na esfera criminal e que deve ingressar com ação trabalhista para garantir a proteção da enfermeira. O caso é investigado pela Polícia Civil. O g1 procurou a defesa do médico, mas não obteve retorno até a última atualização dessa reportagem. Íntegra da nota do hospital O Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) recebeu a denúncia envolvendo suposto caso de assédio moral e sexual no âmbito da unidade e tratou a situação com a devida prioridade desde o primeiro momento. Em conformidade com os fluxos institucionais já estabelecidos, o caso foi imediatamente encaminhado ao Comitê de Ética, que conduz a apuração com responsabilidade, imparcialidade e respeito ao devido processo legal. Todas as partes envolvidas estão sendo ouvidas, incluindo testemunhas, para o completo esclarecimento dos fatos. Por se tratar de um processo em andamento, as informações são conduzidas sob sigilo, conforme a legislação vigente, garantindo a proteção das pessoas envolvidas e a adequada apuração. O HEDA reafirma que situações dessa natureza são tratadas com seriedade e responsabilidade, e que não são compatíveis com o ambiente de trabalho que a instituição preza. Seguimos comprometidos com a promoção de um espaço seguro, ético e respeitoso para todos. As medidas cabíveis serão adotadas a partir da conclusão da apuração. Nota do Heda sobre a possível demissão Não procede a afirmação de que a profissional mencionada teria sido demitida após a realização de denúncia e, posteriormente, recontratada. A profissional foi admitida por meio de contrato por prazo determinado de 180 dias, destinado à cobertura de licença maternidade, com término inicialmente previsto para 31 de março de 2026. Dois dias antes do encerramento previsto, foi registrada manifestação nos canais institucionais, sendo a profissional foi acolhida pelo Comitê de Ética, que determinou a abertura de processo de apuração. A oitiva da profissional estava prevista para a data prevista de encerramento do contrato. Diante disso, o caso foi submetido à análise do setor jurídico que, visando resguardar a adequada condução do processo apuratório e a proteção das partes envolvidas, orientou pela prorrogação do instrumento vigente, não havendo, portanto, qualquer ruptura ou recontratação. A colaboradora foi devidamente comunicada quanto à prorrogação contratual pelo prazo determinado de 180 dias, tendo formalizado o respectivo aditivo. O vínculo permanecerá ativo pelo período estabelecido, conforme previsto no instrumento firmado. Todos os documentos comprobatórios encontram-se devidamente registrados e disponíveis no hospital e poderão ser apresentados aos órgãos competentes, tão logo seja necessário. O HEDA reafirma seu compromisso com a transparência, a ética e a condução responsável de todos os processos institucionais. Nota do Coren-PI O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) manifesta seu veemente repúdio a qualquer forma de assédio no âmbito do exercício profissional da Enfermagem e reafirma seu compromisso com a promoção de um ambiente seguro, digno e baseado no respeito mútuo. A Autarquia informa que tratará a situação com responsabilidade e o rigor que ela exige, assegurando a devida apuração dos fatos, o direito à ampla defesa e a adoção das providências cabíveis. O Coren-PI já está em contato com a profissional envolvida para dialogar sobre as medidas cabíveis e também se coloca à disposição para prestar orientação, acolhimento e acompanhamento necessário diante da situação apresentada. Ressalta-se que o assédio sexual é crime, conforme previsto no Lei nº 10.224/2001, que incluiu o Art. 216-A no Código Penal Brasileiro, sendo passível de responsabilização nas esferas legal e ética. O Conselho lamenta profundamente o ocorrido relatado pela profissional e reforça seu compromisso com a prevenção e o enfrentamento de qualquer forma de assédio e discriminação, pautado na ética, na transparência e na valorização da Enfermagem. HEDA - Parnaíba Ascom Sesapi VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

FONTE: https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2026/04/02/enfermeira-demitida-apos-denunciar-assedio.ghtml


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